Se você não consegue pronunciar um ingrediente, não coma?

 

 

 

MITO: Se você não consegue pronunciar, não coma.

ETIQUETA DE CHECAGEM:  Insustentável

 

Quando Michael Pollan foi entrevistado pelo site NPR em 2008 o tema central da conversa girava em torno de seu recém publicado livro  “Em defesa da comida: um manifesto”. Na publicação Pollan fala sobre o nutricionismo e a doutrinação da alimentação.

Uma afirmação de Pollan, considerado pela revista Times como um dos 100 maiores influenciadores do ano de 2010, foi retirada de seu contexto e transformada em um “mantra” por muitos ativistas que defendem a idéia de que alimentação saudável deve ser “natural” e isenta de químicos.

“Se você não consegue pronunciar um ingrediente, não coma” se transformou em um dos mais conhecidos quotes da “alimentação saudável”.

Mas o que diz a ciência?

Para começo de conversa temos que admitir que a colocação de Pollan não é suficientemente precisa quando se refere a “ingredientes que não conseguimos pronunciar”. Mas, para efeitos de checagem, Drops optou por definir que “ingredientes impronunciáveis são aqueles que não encontramos em livros de receita comuns”, mas usualmente em rótulos de produtos industrializados.

Drops pesquisou e descobriu que o fato de um alimento conter uma grande lista de ingredientes com nomes incomuns não é, por si só, uma justificativa adequada para a escolha do que levamos à mesa.

Vamos a alguns exemplos:

Um dos alimentos que pesquisamos contem 52 ingredientes, dentre os quais estão Arginina, Valina, Ácido Oxálico, Fitoesteróis, Tiamina e Riboflavina. Impronunciáveis, correto? Pois se trata de uma banana.

Já um segundo alimento verificado contem em sua lista dezenas de ingredientes: Galactose, Acido Clorogênico, Cafestol, Arabinose, Metional, Metanotiol, etc. Parece assustador? Tudo isto está presente em um grão de café.

Ou seja, tentar decidir o que comer baseando-se na lista de ingredientes de um determinado alimento é praticamente inútil de ser feito por quem não entende de nutrição ou química. Os nomes “esquisitos” não qualificam ou desqualificam um alimento mas apenas listam os compostos químicos ali presentes.

 

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