Gatorade e o desafio de comunicar a ciência

No último dia 18, um artigo do American Council on Science and Health mostrou como o time de marketing da Gatorade errou feio ao usar em um anúncio o desenho de uma “molécula” que, se fosse real, seria perigosa à saúde.

 

Os problemas de falhas nos conceitos químicos do diagrama em questão foram descritos detalhadamente pelo artigo e culminam na seguinte conclusão:se essa molécula realmente existisse, provavelmente seria instável e tóxica. Ou seja, você não compraria e muito menos beberia este produto!

Talvez você ache que apontar esta falha seja um exagero. Afinal, não passa de uma simples ilustração de uma molécula hipotética usada em um anúncio.

 

Será?

A propaganda em que o diagrama aparece foi veiculada em um intervalo dos jogos de futebol americano, esporte que no ano de 2016 foi transmitido em mais de 15 milhões de aparelhos, segundo a Football Foundation. A mesma imagem também está fixada como foto de capa da página do Facebook da Gatorade, página esta que tem mais de 7 milhões de seguidores.

 

Comunicar ciência é um grande desafio. São muitos os esforços recentes de entidades do setor privado, governamental e da própria academia para melhorar o acesso e a compreensão da informação científica de qualidade. Iniciativas que procuram tornar a a ciência palatável para o grande público estão sendo discutidas e implementadas no Brasil e no mundo.

 

Assim como e é responsabilidade dos veículos de comunicação checar a veracidade das notícias antes de publica-las também é responsabilidade das empresa verificar a precisão das informações que serão usadas em seus anúncios. A disseminação de conteúdos – seja ele um artigo, uma reportagem ou uma propaganda – sem o cuidado de se checar a acurácia daquilo que está sendo dito não contribui para os esforços de se ter uma sociedade mais bem informada.

 

Maria Vitória Zambrone – Diretora Associada do Instituto Brasileiro de Toxicologia e idealizadora da plataforma de checagem de notícias Drops, a dose certa de ciência.

 

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