Segundo especialistas, consumidor brasileiro não precisa se preocupar com arsênio no arroz

Segundo uma reportagem da BBC Brasil, a segurança do consumo de arroz está sendo questionada em alguns lugares do mundo. No Reino Unido, boa parte do arroz vem de Bangladesh, país que enfrenta uma grande crise de contaminação por arsênio.

E quanto ao Brasil? A mesma reportagem afirma que o arroz brasileiro é seguro e não há motivos para preocupação com os níveis de arsênio.

Será que podemos mesmo ficar tranquilos? Drops apurou.

Quem disse? BBC Brasil

O que disse?  Segundo especialistas, consumidor brasileiro não precisa se preocupar com arsênio no arroz”1

Quando disse? 01/04/2017

Checagem: VERDADEIRO

Drops concluiu que é VERDADEIRO dizer que o brasileiro não precisa se preocupar com intoxicação por arsênio ao comer arroz. Até então, todos os estudos avaliando amostras de arroz no Brasil encontraram níveis de arsênio dentro dos limites máximos de segurança estabelecidos para o contaminante.

 

Contexto:

O arsênio é um elemento químico que ocorre naturalmente no nosso planeta e é altamente tóxico2 na sua forma inorgânica. A substância é protagonista de uma das maiores crises de saúde pública do mundo. Em Bangladesh, estima-se que mais de 39 milhões de pessoas (24% da população do país) são expostas a níveis tóxicos do elemento, sendo o envenenamento por arsênio responsável por 43.000 mortes por ano2.

Segundo a Organização Mundial da Saúde2, pessoas que sofrem exposição crônica ao elemento podem desenvolver câncer e lesões na pele. O envenenamento por arsênio também está relacionado a doenças cardiovasculares, diabetes, problemas cognitivos e de desenvolvimento infantil.

A acumulação do arsênio em certas regiões geográficas pode ser atribuída a causas naturais, como erupções vulcânicas ou o desgaste de pedras contendo o elemento3.  Em outros casos, a contaminação do ambiente é fruto da atividade humana, como a mineração e o uso no passado de praguicidas contendo arsênio (muito comuns até 1950)3,4.

Beber, irrigar plantações ou preparar alimentos com água contaminada são as principais vias de intoxicação humana2. Segundo o órgão americano FDA (Food and Drug Administration), o arroz é capaz de absorver grandes quantidades de arsênio da água e do solo durante seu cultivo, muitas vezes possuindo níveis mais elevados do contaminante do que outros alimentos5.

Mas vamos ao que que preocupa muito nosso público: e o arroz brasileiro? A Drops conferiu.

 

O que diz a ciência:

No Brasil, a Anvisa estabelece o limite máximo6 de 0,3 mg de arsênio por quilo de arroz (0,3 mg/kg). Esse limite é próximo dos adotados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA: 0,2-0,25 mg/kg7) e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO: 0,2 mg/kg para arroz branco8 e 0,35 mg/kg para o integral9).

Outros estudos brasileiros já publicados também não encontraram amostras acima do limite estabelecido (como este10, este11 e este12).

É interessante destacar ainda que não há diferença nos níveis do contaminante quando se compara a agricultura orgânica com a convencional11.

Uma observação importante é o cuidado especial necessário com o público infantil. Isso porque bebês e crianças pequenas podem chegar a consumir até 3 vezes mais arroz e derivados13 (como cereais infantis) em relação ao seu peso corporal, do que adultos. Para mitigar esse risco, a FDA13, a EFSA7 e a Anvisa14 estabelecem um limite reduzido de arsênio para produtos infantis (0,1mg/kg).

Todas as evidências indicam que o arroz brasileiro é, sim, seguro para o consumo, diferentemente do que acontece em outros países.

Para os que ainda se preocupam, a FDA afirma que cozinhar o arroz em excesso de água (6-10 partes de água para 1 parte de arroz) e escorrer o excesso ao fim do cozimento pode reduzir o teor do contaminante em até 60%15. Apenas lavar o arroz não é suficiente para diminuir os níveis de arsênio. Porém, o órgão alerta que ambas as práticas podem levar à perda de nutrientes importantes presentes no arroz e que acabariam sendo descartados com o excesso de água.

 

 

 

Fontes:
1 http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39288151
2 http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs372/en/
3 https://www.fda.gov/Food/FoodborneIllnessContaminants/Metals/ucm280202.htm
4 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422009000400031
5 https://www.fda.gov/Food/FoodborneIllnessContaminants/Metals/ucm319870.htm
6 http://sintse.tse.jus.br/documentos/2013/Ago/30/resolucao-no-42-de-29-de-agosto-de-2013-dispoe
7http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32015R1006&from=EN
8 http://www.fao.org/news/story/en/item/238558/icode/
9 http://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/roster/detail/en/c/421755/
10 https://doi.org/10.1016/j.jhazmat.2011.04.087
11 https://doi.org/10.1016/j.foodres.2016.07.011
12 https://doi.org/10.1016/j.jfca.2014.08.004
13 https://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm493740.htm
14http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2862128/%281%29CP+209-2016+-+Proposta+de+norma+em+discuss%C3%A3o.pdf/fbb4af9d-c374-4595-8d6e-097c11d870e1
15 https://www.fda.gov/Food/FoodborneIllnessContaminants/Metals/ucm319948.htm
[i] Drops entrou em contato com a Ficoruz afim de ter acesso ao estudo mencionado. No entanto, até o final desta matéria (01/03/18) a instituição ainda não havia respondido à solicitação.

 

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