Gravidez: paracetamol pode aumentar risco de autismo no bebê

QUEM DISSE? Tua Saúde

O QUE DISSE? Gravidez: paracetamol pode aumentar risco de autismo no bebê

QUANDO DISSE? 19/11/2018


CONTEXTO

Há muito tempo mulheres ouvem de seus médicos e lêem em sites sobre saúde que paracetamol é o melhor analgésico para se tomar durante a gravidez.

Entretanto, no final do ano de 2018 foi publicado um grande estudo sugerindo que tomar remédios a base de paracetamol com muita freqüência durante a gravidez pode aumentar os riscos de desenvolvimento de transtornos do espectro autista.

 

O QUE DIZ A CIÊNCIA:

Segundo a Organização Mundial da Sáude (OMS), o termo autismo “refere-se a uma gama de condições caracterizadas por algum grau de comportamento social prejudicado, comunicação e linguagem, e uma faixa estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente”. Ainda segundo a OMS, atualmente 1 criança a cada 160 nasce com alguma doença do espectro autista.

Apesar do autismo ser atualmente “o transtorno do desenvolvimento que mais cresce”, segundo dados da National Autism Association,  suas causas ainda não são totalmete conhecidas. Desta forma a publicação em abril de 2018 de  estudo científico realizado por pesquisadores israelenses que associava o uso de paracetamol durante a gravidez ao aumento do risco de bebês nascerem com algumas doenças, dentre elas transtornos do espectro autista, teve enorme repercussão. No Brasil, uma das matérias publicadas sobre o assunto foi a reportagem da Revista Veja que trazia o título afirmativo: gravidez: paracetamol pode aumentar risco de autismo no bebê”.

A equipe da DROPS resolveu então pesquisar o que algumas das maiores autoridades sobre saúde falam sobre as causas do autismo e uma possível relação da doença com o paracetamol. Eis o que encontramos:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que evidências científicas disponíveis sugerem que provavelmente existem muitos fatores que tornam uma criança mais propensa a ter um transtorno de espectro autista, incluindo fatores ambientais e genéticos”, porém não aponta nenhum fator específico. Posição similar é defendida pelo o Centers for Diseases Control and Prevention (CDC), que diz em seu site que diz que “pode haver muitos fatores diferentes que tornam uma criança mais propensa a ter um autismo, incluindo fatores ambientais, biológicos e genéticos”. Para o National Health Service da Inglaterra (NHS), “as causas do autismo ainda estão sendo investigadas e evidências atuais sugerem que a doença pode ser causada por muitos fatores que afetam a maneira como o cérebro se desenvolve,incluindo genética e fatores ambientais”. Ou seja, até o momento, todas as 3 entidades concordam que as causas do autismo são multifatorias e não totalmente conhecidas e, em tempo, nenhuma das instituições faz referência ao medicamento paracetamol como um destes possíveis fatores de causa da doença.

Além disso, uma leitura criteriosa do estudo no qual a reportagem se baseou mostra que os próprios autores dizem que “apesar das descobertas serem preocupantes; os resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que as evidências disponíveis consistem em estudos observacionais e são suscetíveis a vários potenciais viés”. Em outras palvaras: fatores ambientais, características maternas e fatores genéticos que poderiam afetar os resultados do estudo não foram levados em consideração.

 

CHECAGEM

Com base no posicionamento das mais relevantes instituições de saúde do mundo e na análise detalhada do estudo, DROPS considera que a manchete da Revista Veja Gravidez: paracetamol pode aumentar risco de autismo no bebê não possui atualmente embasamento de evidências científicas que a sustentem, sendo assim classificada como INSUSTENTÁVEL.

 

 

Por Maria Vitoria Zambrone, Editora da plataforma DROPS 

24/04/2019

 

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