Chá de hibisco pode prejudicar a fertilidade?

Já ouviu falar do chá de hibisco? Esse chá é muito popular no Brasil e é promovido como suposto aliado à vida saudável e agente emagrecedor.

Mas no que diz respeito ao chá, nem tudo são flores. Algumas publicações, como a divulgada pelo Jornal O POVO, afirmam que o chá de hibisco é o ‘vilão’ da fertilidade.

Mas e aí? Será que tomar chá de hibisco pode mesmo prejudicar a fertilidade humana?

A Drops investigou.

Quem disse? Jornal O POVO

O que disse?  Chá de hibisco é o vilão da fertilidade e compromete a saúde fértil de homens e mulheres1

Quando disse? 06/06/2017

Checagem: A Drops concluiu que AINDA É CEDO PARA DIZER se o chá de hibisco pode prejudicar a fertilidade humana. Essas suspeitas foram baseadas em pesquisas com animais, e muitas vezes usando outra planta: o hibisco ornamental (Hibiscus rosa-sinensis), que é diferente do hibisco comestível utilizado para fazer o chá (Hibiscus sabdariffa). Assim, ainda são necessários mais estudos para determinar se o chá do hibisco comestível é realmente prejudicial para a fertilidade humana.

Contexto:

Quando falamos de hibisco no dia-a-dia, a imagem que vem à cabeça é do Hibiscus rosa-sinensis2, a planta florida ornamental que é muito comum nos jardins brasileiros. Mas na botânica, o termo genérico ‘hibisco’ se refere à um grupo de centenas de espécies distintas de plantas3, que variam desde ervas delicadas até pequenas árvores.

Apontar essa variedade é importante, porque a planta utilizada para fazer o “chá de hibisco” é o hibisco comestível da espécie Hibiscus sabdariffa4, que é diferente5 do hibisco ornamental (H. rosa-sinensis).

Entretanto, as supostas propriedades medicinais das duas espécies são frequentemente confundidas. Na tradição de certas culturas asiáticas, as flores do hibisco ornamental (H. rosa-sinensis) são usadas para prevenir a gravidez ou causar aborto6. Já o hibisco comestível (H. sabdariffa) tem outros usos tradicionais. O chá da planta comestível é empregado por várias culturas e alguns dos seus usos medicinais mais comuns são como tônico estomacal e regulador da pressão sanguínea6. De fato, uma revisão sistemática recente7 (artigo de acesso restrito) encontrou resultados promissores ao avaliar estudos usando a planta comestível para tratar pacientes hipertensos.

Mas será que existem estudos científicos investigando o impacto do consumo de extratos de hibisco na reprodução humana? A Drops levantou o que se sabe até agora.

 

O que diz a ciência:

Não existem estudos científicos avaliando o chá do hibisco comestível (H. sabdariffa) na fertilidade feminina. As suspeitas de que o consumo da planta prejudicaria a gravidez são baseadas em pesquisas (como essa8 e essa9), em que extratos do hibisco ornamental (H. rosa-sinensis) causaram infertilidade em fêmeas de roedores. Entretanto, mesmo quando se fala do efeito do hibisco ornamental na fertilidade, as doses são incertas e ainda não existem estudos clínicos em humanos.

Quando se trata da fertilidade masculina, alguns estudos (esse10 e esse11) mostram que, em roedores machos, o consumo prolongado (diariamente por 1-3 meses nos estudos) do chá do hibisco comestível (H. sabdariffa) pode causar danos aos testículos e espermatozoides. Ainda não se sabe se esses efeitos se repetem em humanos.

Desta forma, fica claro que ainda são necessários mais estudos para determinar se o chá de hibisco comestível (H. sabdariffa) realmente afeta a fertilidade em homens ou mulheres. E, se a resposta for afirmativa, em qual dose.

 

 

 

Fontes:
1 https://www.opovo.com.br/jornal/colunas/belezaesaude/2017/05/2017-0705cs0402-legenda.html
2 https://jb.utad.pt/especie/Hibiscus_rosa-sinensis
3 http://www.theplantlist.org/browse/A/Malvaceae/Hibiscus/
4 https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1081265/caracterizacao-fisico-quimica-de-cha-misto-de-amora-rubus-spp-e-hibisco-hibiscus-sabdariffa
5 http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/31489/1/comunicado-213.pdf
6 https://link.springer.com/book/10.1007%2F978-1-59259-365-1
7 https://doi.org/10.1097/HJH.0000000000000585
8 https://doi.org/10.1016/j.contraception.2004.10.004
9 https://doi.org/10.1093/ecam/nem003
10 https://doi.org/10.1016/j.acthis.2011.07.002
11 https://doi.org/10.1016/j.reprotox.2003.11.001

 

 

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