A cúrcuma (ou açafrão-da-terra) pode combater o Alzheimer?

A doença de Alzheimer afeta a memória e a capacidade cognitiva e é responsável por 50 a 80% dos casos de demência no mundo, segundo o Ministério da Saúde brasileiro. Não há cura para o Alzheimer, mas a ciência continua sua busca por tratamentos que possam prevenir ou tratar os sintomas.

Nesta busca, a cúrcuma, o tempero também conhecido como açafrão-da-terra, tem sido apontado como supostamente capaz de prevenir ou tratar a doença de Alzheimer ou outras formas de demência.

Será que a cúrcuma ajuda mesmo? A Drops investigou se o tempero é mesmo eficaz na prevenção ou tratamento do Alzheimer.

Afirmação:

“Cúrcuma produz recuperação “notável” em pacientes com doença de Alzheimer” – Artigo Site Meio Ambiente Rio

Checagem: Insustentável

 

Contexto:

O Alzheimer é a causa mais comum de demência. A doença degenerativa acaba destruindo a memória, o raciocínio e eventualmente a capacidade de realizar até as tarefas mais simples. Uma das principais características do Alzheimer são os agregados anormais de proteínas (as chamadas placas senis) que se depositam no cérebro e podem causar a morte de neurônios.

A cúrcuma (também conhecida como açafrão-da-terra ou turmérico) é uma planta da família do gengibre, muito utilizada como tempero ou corante alimentar e na medicina tradicional de algumas culturas asiáticas.

Estudos clínicos estão sendo realizados para avaliar seu potencial como um anti-inflamatório ou como terapia coadjuvante à tratamentos de câncer. A maioria desses estudos usa a curcumina, o princípio ativo derivado do extrato da cúrcuma.

Mas é verdade que a cúrcuma ou a curcumina são eficazes no combate ao Alzheimer?


O que diz a ciência?

Alguns estudos pré-clínicos com células em cultura ou animais mostraram que a curcumina era promissora no tratamento do Alzheimer. Um dos estudos até mostrou que o composto poderia combater as placas de beta amiloide que são associadas com a doença. Entretanto, quando foram realizados testes clínicos com humanos, a curcumina não promoveu uma melhora nos sintomas da doença.

Um dos problemas é que, mesmo ingerindo uma grande quantidade de curcumina (através do consumo do tempero ou cápsulas do princípio ativo), a substância não atinge níveis suficientes no corpo. Isso acontece porque a curcumina não é bem absorvida pelo nosso organismo e o pouco que atinge a corrente sanguínea tende a ser degradado rapidamente pelo fígado. Assim, quantidades significativas de curcumina acabam não chegando ao cérebro, onde a substância teria que agir para tratar o Alzheimer.

Além disso, um estudo recente mostrou que a curcumina tem propriedades que causam interferências em testes para identificar compostos ativos. Isso quer dizer que alguns resultados aparentemente promissores podem ser “falso positivos”.

Porém, cientistas de algumas instituições importantes (como o Instituto Salk, a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Universidade de Harvard, nos EUA) não descontam os resultados positivos obtidos nos testes pré-clínicos. Alguns grupos continuam pesquisando formulações e modificações químicas que possam ter uma melhor absorção e permanência no corpo. Entretanto, ainda não foram publicados estudos clínicos mostrando a eficácia de drogas derivadas da curcumina no tratamento do Alzheimer.

Checagem:

Atualmente, não há evidências suficientes de que a ingestão de cúrcuma possa tratar ou prevenir o Alzheimer ou outras demências. Alguns dos resultados iniciais com a curcumina podem ser falso-positivos e o princípio ativo não possui suficiente absorção e estabilidade no corpo. Pesquisas ainda estão em andamento para determinar se formas quimicamente modificadas da curcumina poderiam ser mais eficazes.

Sendo assim, a checagem da Drops conclui que a afirmação “Cúrcuma produz recuperação “notável” em pacientes com doença de Alzheimer” é INSUSTENTÁVEL por evidências científicas.

 

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